Referências que atravessam: estética e memória
Um olhar sobre algumas das referências que atravessam meu caminhar e minha pesquisa. Dos povos e tradições do continente africano às criações contemporâneas, observo cabelos, adornos, tecidos e modos de construir o corpo como linguagens de memória, identidade e tecnologia. Referências que permanecem, se transformam e abrem novos portais para aquilo que ainda podemos criar.
MEMÓRIAS E ANCESTRALIDADES
Amanda Coelho
8/24/20263 min read


Hoje compartilho um pouco das referências e inspirações e que atravessam .
E digo um pouco porque falar de referências é falar também de ciclos. Algumas nos acompanham por muito tempo, permanecem e criam raízes. Outras chegam em determinados momentos, provocam deslocamentos, despertam perguntas, abrem caminhos e portais para novas pesquisas e criações.
As referências também se movimentam
Por isso, este não é um lugar para reunir tudo aquilo que me inspira, mas para seguir compartilhando alguns dos territórios, povos, estéticas e conhecimentos que têm atravessado mais diretamente minhas pesquisas e movimentações atuais.
Neste primeiro momento, abro esse portal olhando especialmente para tradições e tecnologias ancestrais do continente africano. Em outros momentos, quero atravessar outras referências, inclusive contemporâneas, que também fazem parte da construção do meu trabalho. Esse é um portal amplo, convido vocês para essa travesia.
Meu trabalho é profundamente referenciado no continente africano e, atualmente, tenho voltado especialmente meu olhar para a África Ocidental, para territórios como Senegal, Mali, Burkina Faso, Mauritânia e Nigéria.
Mas estamos falando de um continente com 54 países e uma imensa diversidade de povos, culturas, saberes e expressões. Por isso, minhas referências não se encerram em uma única região. Elas atravessam outros territórios, tempos e encontros que alimentam continuamente minha pesquisa e meu processo criativo e ciclico.
Quando falo desses lugares, não estou falando apenas de uma referência geográfica ou visual. Estou falando de tradição, continuidade e tecnologia. De observar como diferentes povos manifestaram e continuam manifestando suas heranças, conhecimentos e pertencimentos através da estética.



Interessa-me perceber a Estetica como linguagem
Aquilo que vestimos, trançamos, adornamos e construímos sobre nossos corpos comunica quem somos, de onde partimos, aquilo que carregamos e também os futuros que desejamos construir.
E o cabelo ocupa um lugar muito potente nessa travessia.
Para mim, ele é parte de um grande trançado histórico. É território de memória, comunicação, identidade, tecnologia ancestral e criação contemporânea.
Enquanto habito este corpo e construo meu próprio caminho, procuro me movimentar a partir de referências que dialoguem com a minha história, com aquilo em que acredito e com as perguntas que movem minha pesquisa.
O que queremos comunicar
através da nossa estética?
Que histórias escolhemos continuar?
Que memórias carregamos sobre nossas cabeças?
Aqui, escolho falar das possibilidades, dos conhecimentos e das histórias que esses encontros me permitem acessar, pesquisar, criar e compartilhar.
E, para seguir essa travessia, quero primeiro saudar.
Saudar os Jola, os Mandinga, os Fula, os Serer, os Soninké, os Bambara, os Dogon, os Tuareg, os Hausa, os Yoruba, os Igbo e tantos outros povos, culturas e saberes que seguem vivos, se transformando e atravessando gerações.
E saúdo também você que está aqui comigo.
Este espaço é um convite à troca: para caminhar, sugerir referências, compartilhar saberes, provocar novas perguntas e contribuir para o movimento desses portais.
Porque as referências não são estáticas. Elas chegam, permanecem, atravessam, se transformam e abrem caminhos.












Hoje movimentamos este portal olhando para algumas tradições. Depois, atravessaremos outros tempos, outros territórios, outras estéticas e outras criações.
Porque nenhuma travessia se constrói sozinha.
Seguimos trançando referências, encontros e histórias entre aquilo que veio antes de nós, aquilo que nos atravessa agora e aquilo que ainda podemos construir.


Diva Green | Orí Afrofuturo
O cabelo é travessia: conecta ancestralidades, atravessa territórios e continua histórias.
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