19º Festival de Cinema Negro Zózimo Bulbul: o nosso maior legado
O que significa fazer parte de um legado que continua abrindo caminhos para o cinema negro? Neste texto, compartilho minha participação no 19º Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, a criação de uma cabeça para Macário e os encontros que alimentaram meu orí. Venha ler essa história.
MEMÓRIAS E ANCESTRALIDADES
Amanda Diva
9/28/20264 min read


Saudações Beaury’s,
Vim para contar babados do 19º Festival de Cinema Negro Zózimo Bulbul. Estar presente me emociona e me faz olhar para o caminho que venho construindo dentro do audiovisual.
Zózimo Bulbul foi ator, cineasta e uma voz fundamental para a construção do cinema negro brasileiro. Em Alma no Olho, colocou seu próprio corpo e sua linguagem a serviço de uma narrativa sobre a experiência negra. Mais tarde, criou o Centro AfroCarioca de Cinema e o Encontro de Cinema Negro, abrindo um espaço para que obras e realizadores do Brasil, da África e de outras diásporas pudessem se encontrar, circular e dialogar. Seu legado está nas imagens que fez, mas também nas condições que ajudou a criar para que outras pessoas pudessem fazer as suas.
Portais Keméticos
É dentro desse movimento que tenho a honra de estar. No ano de 2024, preparei para Macário um dos diretores , curadores a frente do Festival, uma cabeça de Exu. Nesta edição atual , ajustei uma peça icônica do acervo , uma cabeça de inspiração faraônica, usada por ele na abertura do encontro. As duas nasceram da minha pesquisa com os Portais Keméticos e da vontade de construir imagens que comuniquem presença, atitude, poder, proteção e espiritualidade. Além disso então dei close com minhas cabeças , a Kemética tradicional preta e uma peça inédita confeccionada com madeira mas, e gente não é por nada não, mais ficou belissimaaaaaaaaa icônica e vocês podem conferir nas imagens .








Esse trabalho também se desdobra na construção de personagens eu que amo produzir, pensar na histórias e na estética, e nos últimos anos tenho fomentando com orgulho o cinema , há uma criação minha na série “Manhãs de Setembro “ , “Morto Não” , “Rua Augusta” e “Monã” .
Minha pesquisa atravessa ainda performances, videoclipes e álbuns visuais. Em Quenda — Amor às vezes é isso, trabalhei a personificação de sete figuras por meio das quais uma personagem narra uma história real. Video clipes com Tassia Reis, Liniker Barros, Gaby Amarantos, Luedji Luna, Glória Groove, Bia Ferreira entre outros artistas incríveis . Em cada projeto, procuro entender como a beleza pode participar da narrativa e ajudar a dar vida a quem está em cena.




Durante esta semana, as conversas e conexões ampliaram as possibilidades desse trabalho no cinema. Venho da moda, da arte capilar, da pesquisa e da criação. Estar aqui reforça o meu lugar enquanto cineasta. Muitas vezes, a exigência de certos diplomas tenta definir quem pode ocupar esse lugar. No cinema negro, encontro um movimento que abre espaço para aquilo que somos, pensamos, fazemos e transbordamos. Reconheço nesse acolhimento a continuidade de um caminho que Zózimo ajudou a abrir.
Estou escrevendo este texto dentro do Centro AfroCarioca de Cinema. Levanto os olhos e vejo rostos de pessoas vindas de diferentes lugares do Brasil, da África, do Caribe e de outras diásporas. Vejo encontros acontecendo, ideias circulando, movimentos borbulhando. Fico impactada ao perceber tanta gente criando suas próprias imagens e reconhecendo a potência umas das outras.




Tudo isso alimenta o meu orí. Toca minha ancestralidade, amplia meu olhar e me dá força para continuar. Sinto orgulho de ver corpos como os nossos contando histórias — e de fazer parte, com o meu trabalho, dessa construção.
Por isso, quero convidar vocês a assistir, compartilhar e fortalecer o cinema negro. Há muitas formas de apoiar: estar presente nas sessões, acompanhar quem realiza, conversar sobre as obras e ajudar essas histórias a circular. Cada encontro pode abrir caminhos que ainda nem conseguimos imaginar.
Agradeço a Macário pelo convite e pela confiança em mais uma criação. Agradeço a Zózimo Bulbul pelo legado que nos reúne e a todas as pessoas que seguem fazendo esse movimento viver. Saio daqui profundamente tocada, com o meu orí alimentado e com ainda mais vontade de criar.




Diva Green | Orí Afrofuturo
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